Como perdi 60 quilos em uma semana

 

Brasília, julho de 2016.

Não foi nada fácil, tenho que confessar. Em vários momentos me perguntei porque estava fazendo aquilo. Mas eu tinha que fazer, não aguentava mais aquele peso!

Bem que eu gostaria de saber como perder gordurinhas tão rápido, mas o meu peso aí era de roupas, sapatos, lingeries, meias e bolsas que lotavam o meu guarda-roupa.

Desde que comecei meu processo de mudança, redescoberta, autoconhecimento ou retorno de Saturno, como gosto de chamar, senti a necessidade de deixar para trás tudo que me fizesse mal ou fosse desnecessário. Percebi em pouco tempo que isso incluía aquele bando de objetos que acumulei durante 30 anos.

Só de abrir o guarda-roupa já me sentia sufocada. E era só mexer um pouquinho mais fundo para encontrar memórias que não me fazem nada bem. No Caminho de Santiago, ficou claro que eu precisava de uma grande faxina não só na minha vida, mas na minha casa também. No primeiro fim de semana livre abri o livro “A Magia da Arrumação, da Marie Kondo, respirei fundo e comecei a obedecer aquela japonesinha.

A primeira coisa que ela mandou fazer, foi buscar todas as peças de roupas que você tiver na vida. TODAS! Obedeci e coloquei todas juntas no chão!

Só esse processo já é uma terapia! Desde que passei a morar sozinha, acabei tendo duas casas. A da minha mãe, onde tenho um quarto com dois armários grandes e um sótão abarrotado com minhas caixas, e a minha, onde também acumulava muitas coisas.

Aviso que é preciso ter firmeza, porque senão você se perde. A intenção é fazer uma categoria por vez. Eu decidi que seriam as roupas, mas logo que abri meu guarda-roupa na casa da minha mãe achei a bendita aliança do ex. Jesus amado, o que eu ia fazer com aquilo? Pra piorar veio um bando de sentimento estranho e questionamentos.

Lembrei do livro e mantive o foco. Depois eu cuido daquilo. Continuei. Alguns minutos depois achei meus diários que escrevo desde os 15 anos. Eram dois livros gigantescos. Tinha que lidar com aquilo. Li algumas páginas, me espantei com coisas que eu nem lembrava, ri de outras, tive meu peito dilacerado com alguns trechos. Decidi tacar fogo em tudo.

Minha mãe viu que eu estava indo para área verde com fósforo e os benditos cadernos e sugeriu até um ritual de desapego jogando umas ervas neles e agradecendo por tudo. Gostei da ideia. Ia ter fogueira perfumada. Logo depois apareceu a Rose, que cuida de mim desde que eu tenho 4 anos de idade. Ela achou graça e trouxe um bando de fotos que eu já tinha separado para ir por lixo. Sugeriu queimar junto e ainda trouxe um litro de álcool.

Foi uma das coisas mais legais que poderia ter feito. Tava tudo virando cinza! Eu precisava daquilo, me livrar de um passado que não cabia mais. Adorei ver tudo aquilo pegando fogo! O peso que eu tirei dalí não tem como calcular.

Aquele não, mas minhas roupas têm. Voltei para o quarto focada. Peguei tudo e voltei para minha casa. Comecei a separar aquela pilha de roupa. E não poderia ter critério melhor! A japonesinha mandava eu pegar cada roupa e perguntar: “isso me traz alegria?”.

Gente, não tem pergunta melhor no mundo. Era a pergunta que tava me fazendo pra tudo na vida! Agora ia aplicar nas roupas. E assim como na vida, tanta reflexão cansa. Enquanto ia mexendo na roupa, várias lembranças surgiam. Até mesmo em níveis sutis. Teve uma hora que comecei a chorar e não faço a menor ideia do motivo.

Outras reações eram mais claras. A roupa de malhar que eu usei na última competição me fez abrir um sorriso, faltei abraçar o vestido de festa que me deixa gostosa pra caramba, fiz cara feia para aquela blusa que comprei por puro consumismo numa promoção e que nunca caiu bem em mim, fiquei surpresa ao achar um vestido que nem lembrava que eu tinha.

Fui tirando peça por peça. Roendo unhas, experimentando peças para saber se ainda cabiam, me perguntando por que eu queria manter aquela roupa de bike que nem ficava tão legal assim ou aqueles pijamas todos. Nem pijama eu uso!

Foi tudo para a pilha de doação. Assim como aquela bendita cueca de um outro ex, que não sei o que diabos ainda fazia no meu armário. Me livrar dela foi lindo! É preciso se desfazer do velho para o novo entrar, né? E o novo já tá batendo na minha porta. Só precisa de espaço.

Levei dois dias para conseguir terminar tudo. Foram quatro malas de roupas, cintos, calçados e mais algumas coisinhas que não me pertencem mais! Oitenta cabides vazios! Um armário lindo e maravilhoso, que dá gosto de ver! Agora eu consigo respirar, agora eu fiquei mais leve, agora eu abro um sorrisão quando abro meu guarda-roupa!

E ele vai ficar assim. Simples, como eu quero que seja minha vida. Sem supérfluos, sem bagunça exagerada, com o que me traz alegria, com o que me faz sentir bem!

 

P.S.: escrevi este texto há pouco mais de um ano. Meu guarda-roupa não tá tão lindo quanto estava naquele dia, mas nunca voltou a ser a bagunça que era.

P.S.2: o novo que bateu na minha porta achou seu espaço e ficou. Hoje ele tem uma gaveta aqui no meu guarda-roupa e eu já ocupo quase metade do dele.

P.S.3: quando tava terminando a faxina, achei esse vídeo da poderosa Jout Jout. Me deu um gás pra continuar. Assistam!

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2 comentários

Thaís 27 de setembro de 2020 - 00:24
Adorei o esforço, a coragem, o desapego! Já fiz isso tb, mes tenho em mente que é um exercício constante! Então, lá vamos nós, fagueiras e leves, pela vida afora! Obrigaduuuu!
Thaís 27 de setembro de 2020 - 15:49
Babi, ontem li esse seu post e adorei!!! E hoje vi que existe uma tendência de life style chamada "AC - armário cápsula". Que tal você, que tem o dom da palavra, escrever um post sobre isso. Seria um jeito de reviver esse tema (que você abordou em 2017, mas que é super-atual)! E tem uma dica de leitura sobre isso também: é o livro "As 100 +" de Nina Garcia. Vou adorar ler suas sempre interessantes considerações!!!
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