Descabelada e do ar

Eu nunca tinha visto uma paisagem tão penetrante. Era quase hipnotizante o efeito das nuvens passando rápido pela cadeia de montanhas. O contraste do azul com o branco se movendo num ritmo frenético e o espelho disso na mata eram lindos.  E eu alí, vendo tudo de cima, sem conseguir pensar em nada. Uma meditação.

Essa foto foi tirada em um dos momentos mais completos do Caminho de Santiago de Compostela. O mundo parecia tão bom. Não faltava nada. E naquele dia me dei conta do quanto sou apaixonada pelo vento. Especialmente quando ele me descabela. Ficar descabelada sempre foi pra mim sinal de felicidade. Pensei em todas as vezes que fiquei descabelada. Nunca foi numa situação sem graça.

Me dei conta de que ficar descabelada pra mim é sinal de diversão. De muita diversão. É na bicicleta, é na moto, é no parque de diversões, é depois do sexo, é brincando com meus primos no quintal. Mesmo quando  o vento não deixa meu cabelo bonitinho, como quando estou no trabalho e o vento me impede de fazer qualquer gravação, fazendo levantar a poeira e sujando tudo. Mesmo assim dou gargalhadas.

É lindo ver meu cabelo tomando vida própria. É quando estou sem paredes. É quando estou em movimento, é quando consigo fluir, é quando estou exposta, frágil, entregue. É quando enfrento o que eu mais temo: a realidade de que não controlo nada. É estranhamente meu maior temor e minha maior fonte de prazer.

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