Porque você precisa ter um aparador de sentimentos

Depois que eu escrevi sobre minha escritoterapia no blog, muita gente veio compartilhar o que estava passando e sentindo ao derramar nas páginas o que transbordava dentro delas. Na hora lembrei de um texto que escrevi em 2017, em Paraty, e nunca saiu do meu HD. Tinha um motivo. Sai no momento certo! Vamos transbordar mais, meu povo!

4 de agosto de 2017. Paraty.

Eu tenho uma relação de amor enorme por caderninhos de anotação. São versões pocket dos meus diários de adolescente. Por onde ando carrego um. Servem para anotar dicas de lugares, filmes, livros, comidas, músicas, ideias para textos e por aí vai. Mas me são mais úteis como o que eu chamo de aparador dos sentimentos que transbordam.

Não é muito raro eu transbordar. Vez ou outra sou invadida por ondas de sentimentos como gratidão, amor, paixão, alegria, plenitude… outras vezes por tristeza, ansiedade, indecisão ou raiva mesmo.  Para não morrer afogada, despejo tudo no caderno.

Mal eu ponho aquilo no papel, vem um alívio imediato. Eu até respiro melhor. Uma mistura de analgésico com descongestionante nasal. Minha mão às vezes vacila, levanta a caneta, mas é tomada por novo fôlego e segue derramando tinta para tirar o que não cabe em mim.

Hoje devo ter uns oito deles espalhados por vários cantos. Na minha casa, na do meu namorado, na da minha mãe, no meu carro e em todas minhas bolsas. Pareço aqueles doentes graves, com medo de ter uma crise e não ter onde se amparar. Medo injustificado, porque quando não encontro um caderno rápido escrevo em qualquer superfície que possa ser levada comigo depois. Qualquer mesmo.

Mas claro que tenho preferências. Pequenos demais me causam horror. Minha letra não consegue ser uniforme e gosta de ocupar um bom espaço, como eu. Pautados me causam opressão. Já basta quererem me enquadrar no dia a dia, ali preciso ficar livre! Tenho paixão pelos que abrem como cadernos de anotações antigos, sem se deixarem dobrar totalmente. Apesar de não serem tão funcionais, acho um charme. Quando tem um elástico para puxar e fechar bem o caderno então… Só o ato de fazer isso já me relaxa. 

Por tudo isso, agora nesta viagem estou com um problema. Ganhei uma caderneta nova e trouxe sem pensar muito. É pequeno e pautado! Tenho fugido dele como o diabo da cruz. Só que sem minha válvula de escape tradicional, meus dias têm ficado mais difíceis. Ele tá aqui ao meu lado agora. Olho pra ele com desgosto.

Talvez tenha que romper uma regra antiga. Não compro cadernetas, só ganho. Nunca falei pra ninguém que elas me eram tão uteis e essenciais, mas as pessoas parecem pressentir e me enchem delas. Eu sou jornalista, o que justifica ganhar esses caderninhos, mas se elas soubessem o quanto eu amo talvez ganhasse mais por isso. Ainda bem que não sabem… gosto que elas me cheguem assim sem mais nem menos. 

Essa aqui ao meu lado mesmo me foi distribuída numa palestra e é bem funcional. Foi dada por uma empresa. Ela vai ser perfeita para anotar a lista do supermercado, mas agora preciso de uma sentimental e acolhedora. Preciso de uma que me deixe fluir nela para tornar mais suportável o que explode aqui.

Amanhã vou às compras.

————————————– ATUALIZAÇÃO ——————————————————–

5 de agosto de 2017. Paraty.

Fui às compras logo cedo. No caminho para a papelaria, vi uma Kombi antiga que funciona como sebo cultural no Centro Histórico de Paraty e decidi tentar a sorte por lá. Contei para o dono, o Daniel Lima, o que eu estava procurando. Ele achava que tinha uma parecida e pediu que eu voltasse mais tarde. Uma hora depois estava eu lá para que ele me mostrasse uma caderneta exatamente do jeito que eu sonhava.

Era do tamanho ideal, sem ser pautada e com aqueles elásticos que eu acho um charme puxar para abrir. Era de uso dele. Inclusive tinha umas folhas rabiscadas. Perguntei o preço e ele disse que não me cobraria nada, que ela já estava lá me esperando.

Como tinha muito sentimento transbordando, abracei apertado aquele homem e sai de lá com olhos marejados de gratidão.

Tradição mantida e agora cá estou eu: escrevendo feliz da vida sem formas pra me julgar, com espaço de sobra pra divagar e um novo amigo no meu caminho. Benditos sejam os aparadores de sentimento.

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