Hoje foi dia de mais uma edição da oficina Porque devemos nos tornar assassinos. É uma oficina de texto que dou desde 2015 com exercícios e dicas de grandes autores para quem quer escrever melhor. Desta vez, recorri também ao meu querido George Orwell.
O autor de “1984” e “Revolução dos bichos” foi ainda jornalista e ensaísta. Em vários textos, ele mostra sua preocupação com o uso das palavras. Seus ensaios foram usados como inspiração para o manual de estilo de várias publicações jornalísticas. Ele acredita que os problemas principais de muitos textos são as imagens banais e a falta de precisão.
Nesses textos menos conhecidos encontrei dicas sensacionais para quem quer escrever melhor. Separei alguns exemplos que uso na oficina para dividir aqui.
As seis regras dele são:
1 – Nunca use uma metáfora ou qualquer outra figura de linguagem que está acostumado a ver impresso.
Orwell reúne várias metáforas que são usadas quando a gente tem preguiça de criar expressões. Os exemplos são: trocar seis por meia dúzia, caiu na rede é peixe, misturar alhos com bugalhos e calcanhar de Aquiles. Ele pede para gente deixar de preguiça. Fala que usamos tais palavras como muletas e que o ideal é inventar expressões ou cortar isso do texto.
2 – Nunca use uma palavra longa quando uma curta dará conta do recado.
É fantástico acompanhar um dos exercícios do escritor. Ele pegou textos enormes de políticos e partidos e criou textos mais claros apenas cortando palavras longas. Parágrafos imensos podem ser reduzidos a duas linhas se tirarmos os floreios. Assim, a mensagem chega de forma mais eficiente.
3 – Se é possível cortar uma palavra, corte-a sempre.
Vendo folhetos de propaganda e de jornais da época, Orwell percebeu que ninguém usa a linguagem cotidiana e popular. O mesmo acontece hoje em dia. Quantas vezes não vemos pessoas usando termos rebuscados e arcaicos só para demonstrar que são cultas.
4 – Nunca use a voz passiva quando pode usar a ativa.
Orwell reclamava que partidos políticos usavam a voz passiva para criar frases vagas. Seja direto! Seja curto, direto e claro. É só reparar: Políticos e atendentes de telemarketing costumam usar essa técnica para confundir ou tirar a responsabilidade sobre alguma coisa.
5 – Nunca use uma expressão estrangeira, uma palavra científica ou um termo de jargão se puder pensar em uma palavra equivalente em seu idioma que seja de uso comum.
Status quo, feed back, pequeno-burguês, meliante, deus ex machina. George Orwell diz que os maus escritores e quem escreve sobre temas científicos, políticos e sociólogos são quase sempre perseguidos pela ideia de que palavras estrangeiras são mais ilustres que as de sua língua natal.
6 – Quebre qualquer uma dessas regras se vocês estiver prestes a escrever alguma coisa bárbara.
O autor diz que essas regras são guias, o que não significa que seguindo tudo você escreverá bem. Para isso, ele recomenda que você se pergunte: O que quero dizer? Quais palavras expressam isso de forma mais clara? Posso ser mais breve?
Essas dicas foram escritas em 1946, mas considero uteis até hoje! Acho que o caminho é esse mesmo: Simplificar! Vida e texto. = )

2 comentários
Adorei o seu blog, além de lindo, tem muito conteúdo interessante.
Parabéns!!!
Que retorno bacana, Lia! Muito obrigada!!!