
Hoje quem escreve para o blog é o Daniel Berquó (@nielber). Também fã de aventuras, ele foi para a Cachoeira da Água Fria e nos conta um pouco da experiência:
154 km. Essa é a distância que separa a capital federal de um vale encantado. A Cachoeira da Água Fria está localizada na região do município de Formosa, em Goiás. Para chegar nela, é preciso percorrer – saindo de Formosa – cerca de 26km pelo asfalto, 33km de estrada de terra e, aproximadamente, 8km de trilha. O caminho não é fácil.

Partimos em um grupo de sete pessoas às 5h30 de Brasília rumo à Formosa. Logo no início, o pneu de um dos carros furou e já percebemos, logo ali, que a aventura seria grande. Encontramos nosso guia ao lado de um hotel em Formosa e começamos a aventura. A trilha para a Cachoeira da Água Fria começa em uma estrada de terra que oferece um grau fácil de caminhada. Logo após, entra-se em uma mata mais fechada e é necessário ficar atento às plantas, pois algumas possuem espinhos que podem gerar algum corte se o aventureiro estiver desatento. Aqui o caminho ainda está em um nível fácil.
A grande aventura começa na última parte da trilha que, embora seja a menor parte dela, aparenta ser a maior de todas. É necessário entrar no rio e seguir em sentido contrário ao seu curso. Preparo físico e alguma familiaridade com trilhas são fundamentais para seguir em frente, pois o trajeto é repleto de pedras para se escalar, fendas para se espremer e um terreno nada amigável a quem se arrisca a desafiá-lo. O grau dessa parte é difícil, o que torna comum o pensamento de desistir da tão aguardada aventura. Eu tive esse pensamento no mínimo três vezes ao longo do rio, e tenho certeza que mais pessoas o tiveram também.
O que motiva a seguir em frente? A paisagem. O local é aparentemente muito pouco visitado, possivelmente por conta da dificuldade de acesso. A dica durante a trilha é, em alguns momentos, desviar o olhar das pedras e contemplar o local. Dar algumas pausas para descanso e também sentir a energia da região. É preciso se permitir admirar tudo aquilo que surge ao longo do caminho, até mesmo as grandes aranhas e teias – maiores ainda – que enfeitam as pedras em alguns momentos.
Duas cachoeiras são avistadas ao longo do caminho. Uma é bem fina, e a pouca quantidade de água não consegue tocar o chão de tão alta. O vento dispersa a água e faz com que a experiência seja apenas de contemplação nesse momento.

Logo à frente, surge a imponente e bela Cachoeira da Água Fria, com sua beleza única. Ela surge entre as pedras de um paredão imenso. São 80 metros de altura. O poço de água, com uma cor esverdeada, é bem grande e, segundo o guia, com quatro metros de profundidade. Suas águas não poderiam ter temperatura diferente, são realmente frias. Esse é o momento em que você pensa que tudo valeu à pena, onde se sente integrado àquele espetáculo e admira todo o poder da natureza. É o momento em que você solta o grito de vitória, de recompensa, de alívio de todo o cansaço. O sol bate por pouco tempo no local. Pelo que o guia nos falou, o melhor horário é entre 11h e 12h30, então é importante sair cedo para poder aproveitar a única fonte de calor do lugar.
O vale é incrível. Fez-nos sentir que estávamos no cenário de algum filme de aventura, talvez até mesmo de dinossauros, com a diferença de que aquilo era real! Localizado dentro dos cânions, é encantador. Estar nele trouxe a sensação de integração com a natureza, em um lugar bastante preservado.
Após se aventurar nas águas da cachoeira, é necessário buscar nova motivação para sair dali e fazer o caminho em sentido contrário. A dificuldade continua teoricamente a mesma, mas agora o cansaço e desgaste físico dão um grau maior a ela. Foco no pensamento de conforto, de uma cama quente. Com isso em mente, você tira forças que, no momento, você já não tem para retornar. Com muito cansaço, fizemos o trajeto de volta e o caminho parecia maior do que nunca. Aqui o pensamento de desistir aparece de novo, principalmente quando você tem que saltar novamente por entre pedras ao lado de uma corredeira do rio. Uma boa companhia faz a diferença nesse momento: motiva, apoia e caminha junto. Ao final, fica a sensação de que valeu à pena e de que o paraíso tem nome e está logo ali.
QUANDO IR:
Períodos de seca. Na chuva, além do percurso ficar praticamente impossível, o risco de tromba d’água é enorme.
COMO IR:
O ideal é contratar um guia, que já conhece bem a região. Nós fomos com o Leonardo – 61 9973-6020.

Cachoeira da Água Fria
