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Descubra Lagolândia (GO): doces, visual lindo e a história surreal da “Canudos do Cerrado”!

por Bárbara Lins 10 de fevereiro de 2021
escrito por Bárbara Lins 10 de fevereiro de 2021
6,5K

O Vilarejo se resume, quase de exclusivamente, a uma praça. Mas que praça…. É tanta história e beleza por metro quadrado que a gente não sabe pra onde olhar e onde ir primeiro. Conheça a incrível história de Lagolândia, distrito de Pirenópolis, Goiás. Vale um bate e volta!!!

Ouvi falar a primeira vez sobre Lagolândia tomando cerveja em Piri. Sim!!! Cerveja. Em Pirenópolis existe uma cervejaria chamada Santa Dica. Até coloquei foto no meu insta @babilins. Quando perguntei sobre a origem do nome descobri a história da Dona Dica, uma mulher que na década de 20 liderou tropas, protagonizou curas e quase criou uma sociedade alternativa no meio do Cerrado. E o cenário onde tudo isso aconteceu era ali pertinho: a 35 minutos de Piri, no distrito de Lagolândia. Pirei! 

Mês passado o Leandro e eu pegamos o Motorhome Pantera Negra da FreeStyle Vivências e fomos conferir a cidade!!! Confira o que fazer, onde dormir e todas as histórias e festas de Lagolândia!!!! E se quiser outras dicas do que fazer perto de Brasília, clique aqui.

Como chegar em Lagolândia

Pensa numa estrada bonita! O caminho que sai de Pirenópolis e leva a Lagolândia é lindo. Lembra as estradas do interior de Minas Gerais, com fazendas, morros, vegetação exuberante. E o melhor: pista boa! Novinha. São cerca de 35 minutos de carro entre um destino e outro. Vale a pena se hospedar em Piri e fazer um bate e volta lá. 

A cidade é super pequena. Morando lá mesmo são só 500 moradores!!!! Ela é mega bucólica e conservada. Suas casas antigas são tão bonitas e conservadas que lá foi o cenário de alguns trechos do filme Dois Filhos de Francisco. 

E quando você chega no centro do vilarejo, que a praça que falei, fica encantado. É tudo bem arrumadinho! A praça é cuidada pela associação de mulheres da cidade, que recolhem fundos para sua manutenção. Lá praça, as famílias que dão dinheiro têm seu nome colocado em um dos bancos. O Leandro lembrou que essa é uma tradição comum na Europa que já vimos algumas vezes no Brasil. 

Os doces, a festa e o artesanato de Lagolândia

Apesar de minúscula, Lagolândia esconde atrativos, festa e pessoas incríveis que nos fizeram brilhar os olhos. Estacionamos a Pantera Negra na pracinha, bem em frente à igreja lindinha que reúne os moradores todo fim de semana. Ao lado dela, vimos uma casinha antiga charmosa demais!!!  Tinha umas flores ornamentando a entrada principal e parecia que estava tendo uma festa.

Assim que descemos da van, um senhor passou por nós e foi em direção à casa. Saí correndo atrás dele para saber do que se tratava. Era o casarão de festas da prefeitura!!! O Seu Melquides explicou que todo evento da cidade era organizado lá. Abriu a casa pra gente e mostrou que estávamos nas festa de São Benedito. O teto estava todo decorado e havia um altar no centro. 

O seu Melquiades nos levou para o fundo do casarão, onde ficam os fornos da festa dos doces. Agora que estava me apaixonando de vez!!!! Todo ano, em julho, eles fazem uma festa de 10 Dias!!!!!! É a festa dos padroeiros, que também é conhecida como a festa dos doces! Esses fornos antigos são usados pelos voluntários para cozinhar dezenas de quilos de iguarias durante esses 10 dias. Doce de leite, de mamão, de cajuzinho, de batata doce…. 

Na pracinha, do outro lado da igreja, tem uma casa de artesanato. Lá conhecemos outro morador acolher e super receptivo: a Maria Camargo. Ela que toca a vendinha de artesanatos da cidade. São produtos que ela e outras moradoras fazem. Tem colchas, canecas, livros sobre a história da Dona Dica, tapetes e outras lembrancinhas.

A maria sabe a história da cidade toda e tem muitos casos para contar. Vale a pena dar uma paradinha para entender melhor como surgiu Lagolândia e como é a vida por lá, que basicamente vive da produção agrícola hoje.

Outra moradora que me revelou atrativos da região é a Anásia. Ela tem casa lá e aqui no DF, o que acontece muito! Boa parte dos moradores só se deslocam para lá em fins de semana e feriado. A Anásia que me contou que nas redondezas têm rios maravilhosos para banho, para quem quer fugir da muvuca. Um deles é o Rio dos peixes! Ela está preparando uma chácara para receber hóspedes assim que a pandemia acabar. Também é dela a Ecopousada Lagolândia, um dos poucos lugares para se hospedar. A pousada irá reabrir quando os números do Covid diminuírem.

A grande história de Lagolândia

Se alguém me contasse essa história eu ia falar que estava exagerando. Mas tem documento, foto e tudo mais na parede da casa da Dona Dica. Benedita Cipriano Gomes, nasceu em 1903 e foi criada em uma fazenda da região. Aos 7 anos de idade ela caiu enferma e perdeu todos os sinais vitais. Antes do enterro, os parentes foram dar o “banho do defunto” e perceberam que ela estava suando frio. Decidiram então manter o velório e depois de 3 dias, Dica “ressuscitou”.

Na época, a história se espalhou e veio gente de tudo quanto é lugar para ver o milagre. Dica começou então a reunir fiéis, que iam lhe pedir bênçãos e conseguir graças. A curas da Santa Dica, como também é conhecida, se espalharam ainda mais durante o tempo e o lugar virou um centro de peregrinação.

Dica instituiu uma espécie de comunidade lá, onde fazia curas, aboliu o uso genérico de dinheiro, estipulou o uso coletivo do solo e pregava a igualdade.  Estima-se que 15 mil pessoas andavam por lá, o que deixou os coronéis da região incomodados, com medo que pudesse surgir outro episódio como o de Canudos.  

Depois dos coronéis espernearem horrores, o governo estadual mandou tropas para lá, que praticamente destruíram o povoado. Santa Dica foi presa, mas a pressão popular foi tão grande que logo a soltaram. Solta, montou um exército de 400 homens e entrou para política. As tropas delas eram famosas por não terem baixas em vários episódios de conflitos.

O que não faltam são histórias dessa mulher, que morreu em 1970 e pediu para ser enterrada debaixo de uma gameleira em frente à sua casa em Lagolândia. A casa é aberta para visitação. E o túmulo está lá também, debaixo da árvore, como ela pediu.

Venha para o Time dos Descobridores!

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9 comentários

Prof. Santana 10 de fevereiro de 2021 - 22:40

Muito bom.
Quero o resumo dos seus descobrimentos.

Responder
Bárbara Lins 10 de fevereiro de 2021 - 23:29

Obaaaaa! Vou colocar na lista

Responder
Marcio Bittencourt 25 de fevereiro de 2021 - 18:59

Babi, adoro a forma como você descreve os locais e conta os causos. Sempre fico com vontade de conhecer.
Não conhecia e achei muito interessante a história da Dica.

Responder
Marinho 24 de julho de 2021 - 21:16

É vocês estão fazendo melhor que a secretária de turismo do estado. Esta região próxima ao DF deve ter muitas histórias e lugares interessantes que poderiam ser divulgados. Mas parece que o estado não importa e só pensa em fazendas produtivas. Eu imagino que estes lugares poderiam ser mais floridos, mais limpos, e preparar suas populações para produzir artesanatos interessantes.

Responder
Bárbara Lins 25 de julho de 2021 - 22:52

Lindezaaaaaaa

Responder
Linhares XT 26 de julho de 2021 - 15:39

Mais uma história incrível que, surpreendentemente, poucas pessoas conhecem! Goiás tem muito a ser descoberto! 😀

PS: outro causo bem interessante é o do aqueduto de 42 km que levou água do córrego Saia Velha até Luziânia. Hoje tem um grupo de ciclistas recuperando parte dos 9 km que restaram.

Responder
Bárbara Lins 11 de agosto de 2021 - 17:14

Sério???? Que incrível! Quero acompanhar

Responder
Linhares XT 13 de agosto de 2021 - 16:09

É sim! 😀

O pessoal do @cerradobiketrilhas no Instagram:
https://www.instagram.com/p/CQUvfUdn4jj/

Esta trilha de bike passa em algum dos trechos preservados:
https://pt.wikiloc.com/trilhas-mountain-bike/trilha-dos-escravos-79412689
mas eles afastaram muito do traçado original do aqueduto que fica mais próximo da BR-040 👍

Responder
Bárbara Lins 17 de agosto de 2021 - 22:51

Uhuuuuuuu

Responder

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